O que são Asanas?
- Helena Borges

- 29 de abr. de 2023
- 6 min de leitura
Atualizado: 16 de mai. de 2023

Asana significa “assento”. Sua definição de acordo com os Yoga Sutras de Patanjali é “postura firme e confortável” (sutra II.46). A prática de Asanas conduz ao assentamento da mente, ou seja, o aquietamento dos fluxos mentais. As posturas devem ser realizadas de maneira firme, ao mesmo tempo em que encontramos conforto e leveza. E a prática deve ser ela própria uma meditação dinâmica, uma meditação em movimento.
Os Asanas proporcionam purificação do complexo corpo-mente, melhorando nossa saúde de maneira geral e nos preparando para a meditação. Através da prática, temos a oportunidade de honrar a Natureza que se manifesta em cada um de nós. A partir do corpo, da respiração, da mente, e do Ser pleno que habita e se expressa através do corpo-mente.
Tudo são expressões, manifestações, da Natureza. Meditação é contemplação da Natureza, contemplação do Ser pleno que habita em cada um de nós e da unidade que é o Universo. Podemos dizer que o objetivo da prática de asanas é atingir uma postura que seja ao mesmo tempo firme e confortável, sem a necessidade de se mexer. Essa postura, esse assento, firme e confortável é, em última instância, a postura de meditação. Os asanas não são um fim em si mesmos, mas sim um caminho para preparar o corpo e a mente para a meditação. Para sentar em meditação de forma firme e confortável.
O objetivo do Yoga é a libertação dos condicionamentos, o samadhi, o reconhecimento da plenitude e do Todo em si mesma(o) e, para isso, não é necessário fazer milhares de Asanas, nem posturas acrobáticas e mirabolantes. Estar no Asana significa permitir que o corpo e a mente se assentem, se integrem, encontrando conforto junto com o esforço e, assim como praticamos no tapete, podemos expandir para a nossa vida cotidiana. A prática é um treino para as diversas situações das nossas vidas. Estar no Asana é permitir que a mente se assente e repouse no coração, que ela se torne expressão do coração, onde reside o infinito (comentários de Carlos Barbosa nos Yoga Sutras de Patanjali). Os Asanas são parte fundamental do Yoga, assim como todas as outras partes e práticas que o Yoga nos traz, como os Yamas (condutas éticas), Niyamas (recomendações), os pranayamas e a meditação.
Façamos a prática das posturas com atenção plena, deixando de lado as expectativas de chegar a algum lugar. A felicidade não é uma chegada, mas uma jornada.
Técnicas para realização de Asanas: Bandhas
O termo Bandha significa algo como “fechadura”, “lacre”, ou “contração”. Digo “algo como” porque muitas vezes é difícil encontrarmos uma tradução literal para as palavras em sânscrito, portanto é interessante que entendamos os conceitos. Bandhas são contrações musculares feitas com o intuito de impedir que a energia vital escape, se dissipe, durante as práticas de Asanas e Pranayamas e com o intuito de redistribuição e circulação da energia.
Três são os bandhas principais:
•Mula Bandha: contração do períneo nos homens e do interior da vagina nas mulheres. Mula Bandha impede que a corrente de energia descendente, chamada Apana Vayu, aconteça durante as práticas fazendo com que a energia vital “escape” por ali. Todos os cinco Prana Vayus (correntes de energia), são fundamentais para o funcionamento saudável do complexo corpo- mente. Apana Vayu é responsável pela eliminação e pelo fluxo menstrual, apenas durante as práticas evitamos que essa energia desça, realizando o Mula Bandha. Este bandha também ajuda a fortalecer a pelve, ativar a irrigação sanguínea nessa região e corrigir a postura. Mula Bandha também é energizante, ativa o Muladhara Chakra, o chakra da raiz, e ajuda a equilibrar nossos impulsos. A prática constante de Mula Bandha ajuda a dar impulso quando necessário, mas sem impulsividade. Quando ativamos este ponto, idealmente não se deve contrair os esfíncteres anais, pois isso é uma outra prática chama Ashwini Mudra. É um desafio ativar Mula Bandha sem contrair os esfíncteres, portanto, não se prenda tanto a isso no início, vá aos poucos praticando e tentando ativar apenas Mula Bandha, ou apenas Ashwini Mudra. Para essa prática, sente-se confortavelmente e se concentre primeiro em Mula Bandha, tente ativar e soltar devagar, mantendo a contração suave, não há necessidade de contrair demais. Depois, pode fazer Ashwini Mudra, sem ativar Mula Bandha e observar. Essas ativações podem ser mantidas por alguns segundos, depois solta e assim pode seguir por cinco minutos, é uma sugestão inicial. Observe as sensações no corpo e observe a mente. Se sentir qualquer desconforto pare, e em um outro momento faça a prática novamente. Converse com sua(seu) professora(professor) de Yoga sobre as práticas.
•Uddyana Bandha: contração do abdômen para trás e para cima. Este Bandha promove a redistribuição da energia vital no corpo, ativando especialmente Samana Vayu, a corrente de energia associada à digestão tanto física, quanto psicoemocional. Ajuda a eliminar toxinas do sistema digestivo e do trato intestinal. Ativa Manipura Chakra, o chakra do plexo solar. Aqui temos uma diferença entre a prática de Uddiyana Bandha durante os Asanas e Pranayamas e a sua prática isoladamente. No Hatha Yoga Pradipika, a prática deste Bandha é descrita como uma sucção do abdômen para dentro e para cima, em pé (mais fácil no começo), ou sentado, sempre de estômago vazio e após exalar todo o ar, ou seja, de pulmões vazios. Antes de precisar inalar, solte o abdomem, desfaça Jalandhara bandha e respire controladamente. Esta prática de Uddiyana Bandha não deve ser feita por pessoas com pressão alta, cardíacos e gestantes. Durante a execução dos Asanas e Pranayamas, quando a(o) professora(or) diz para ativar Uddiyana Bandha, trata-se da contração do abdômen e baixo ventre, mas não como a prática descrita acima, pois estamos respirando normalmente, apenas mantendo o abdômen ativo. A prática do Uddiyana Bandha isoladamente, na qual se faz essa sucção criando um vácuo, é feita sempre com pulmões vazios. Durante os Asanas e Pranaymas, essa contração é bem menor, é apenas ativação da musculatura abdominal e apenas gestantes não devem realizá-la. A prática de Jalandhara bandha é somente em momentos muito específicos durante os Asanas.
Respiração Ujjayi Ujjayi significa “aquilo que dá vitória”, ou espiração vitoriosa. Diz respeito à vitória sobre as flutuações da mente. A respiração Ujjayi produz um som dentro da garganta, parecido com o som do oceano, a partir de uma suave contração da epiglote. Essa contração produz o som, ajuda a prolongar a respiração, controlando sua velocidade e volume. Como o movimento da respiração e da mente estão associados, de acordo com os textos do Yoga, conforme vamos desenvolvendo domínio sobre a respiração, vamos também aprendendo a dominar a mente e colocá-la a serviço do nosso verdadeiro Eu. Ao fazer a respiração Ujjayi devemos cuidar para não arranhar a garganta, o som produzido é suave, você precisa escutá-lo, mas não necessariamente uma pessoa que esteja ao seu lado vai escutar o seu som. Durante a prática de Asanas devemos realizar essa respiração. Também podemos realizá-la sentadas(os) em postura de meditação, esta é a prática de Ujjayi Pranayama. Ujjayi traz um estado mais meditativo para a mente, de calma e concentração, traz calor para o corpo, aumenta a capacidade pulmonar, é calmante. Deve ser evitado por pessoas que estejam com crise de asma aguda e pessoas com alterações de pressão devem praticar com maior cuidado.
Por fim… Como diz o professor Tales Nunes, na prática de Asanas podemos deslocar nosso foco da estética da imagem para estética da sensação. Podemos mergulhar nas sensações do corpo e no fluxo da respiração e começarmos a nos desidentificar dos pensamentos - precisamos sair do turbilhão mental e assim acalmar a mente. Ansiedade vem de uma mente acelerada, com vários pensamentos ao mesmo tempo, que não consegue se concentrar. Sair desse tumulto mental e dar um descanso, um respiro para a mente é tão fundamental quanto tomar banho, escovar os dentes e dormir. Durante a prática das posturas e de meditação podemos observar tudo o que se passa, tudo o que passa e nos darmos conta de que tudo passa… mas sempre algo permanece.
Boas práticas 🙏
Referências
Hatha Yoga Pradipika - tradução e comentários de Swami Muktibodhananda
Apostila e grupo de estudos sobre os Yoga Sutras com o professor Tales Nunes
Yoga Sutras de Patanjali - tradução e comentários de Carlos Eduardo G. Barbosa Guippy. Guia Prático de Posturas de Yoga - Joseph Le Page e Lilian Aboim Mudras para Cura e Transformação - Joseph Le Page e Lilian Aboim




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