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Asteya - o terceiro Yama dos Yoga Sutras




Yoga é sobre nossa relação com o mundo. Praticar Yoga apenas para o próprio bem-estar é ignorar a essência do Yoga.


É claro que a prática de Yoga pode ser terapêutica, isso é ótimo e necessário. Mas ser praticante mesmo envolve levar o Yoga para fora do tapete, para nossa relação com o mundo.


Relacionar-se com o mundo de forma íntegra é o princípio do Yoga chamado Asteya, o terceiro Yama.


Asteya significa não roubar, agir com honestidade e integridade.


Isto significa não roubar não só bens materiais, mas também mérito, tempo ou paciência dos outros. Tem a ver também com o equilíbrio entre dar e receber.


No geral, nós queremos sempre receber e temos medo de dar e ficar sem, como se a fonte fosse se esgotar, como se houvesse um limite daquilo que podemos dar. Mas, de acordo com o Yoga, a realidade não é essa. Na verdade, quanto mais damos, mais recebemos. Não podemos ter aquilo que não damos, e nos custa entender isso.


Não roubar refere-se também ao oferecimento dos nossos talentos e potencialidades, se não oferecemos isso ao mundo, é como se estivéssemos roubando.

Asteya também está ligado às nossas atitudes em relação à Natureza e a todos os seres que dividem o Planeta com a gente. Não estamos acima deles, não somos mais nem menos importantes que os outros seres, todos temos o mesmo direito de existir. Retirar mais da Natureza do que sua capacidade de regeneração também vai contra esse princípio.


Entender que não precisamos de muitas coisas torna a vida mais fácil e simples. Simplificar a vida pode ser muito prazeroso, claro que é um desafio em um mundo que tenta de todas as formas captar nossos desejos mais profundos e nos vender produtos e serviços com a promessa de satisfazer esses desejos. Precisamos nos blindar contra esses bombardeios.


O mundo capitalista também sempre nos vende a ideia da escassez, no entanto, estamos em um mundo abundante, é só olharmos para a Natureza, para a quantidade de comida que é produzida e para quantos trilhões estão circulando por aí ou guardados em bancos clandestinos… É claro que existe um limite para o dito “crescimento econômico” e para a extração frenética que está ocorrendo, isto é indiscutível.


Mas a Natureza em si é pura abundância, e nós não precisamos de muito para sermos felizes, a prova disso são as pessoas muito ricas que são infelizes, todos sabemos dessa realidade.


Além disso, quanto mais temos, mais tememos perder o que temos. Afinal, nada realmente nos pertence, assim como tudo o que temos veio a nós, pode ir um dia. Absolutamente nada garante que sempre teremos tudo o que agora possuímos. Viver estabelecido no apego apenas gera sofrimento, pois a natureza da vida é a mudança, a impermanência.


Asteya está muito ligado à outro princípio do Yoga, Aparigraha, o desapego.


Nós compramos a ideia de que precisamos estar sempre atrás de ter mais e mais, e no momento que percebermos que já temos tudo, paradoxalmente sentimos um vazio.


E se mudarmos nossa chave, e nos colocarmos na atitude de oferecer mais e mais da fonte inesgotável que são as nossas potencialidades, sabendo que com honestidade, integridade e doação tudo flui até nós?


O caminho de autoconhecimento passa por reconhecer e dar o devido valor ao que verdadeiramente importa.



 
 
 

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