Os Pilares do Yoga
Atualizado: 8 de set.

Yamas e Niyamas são os princípios básicos, os pilares que sustentam o Yoga.
Sabemos que Yoga não é apenas uma atividade física, existe todo um ensinamento por trás daquilo que o senso comum entende por Yoga.
Temos dois conjuntos de cinco princípios.
Yamas são os princípios éticos, dizem respeito à nossa vida interior e exterior, quando dizemos que somos praticantes de Yoga devemos ter em mente que isso envolve um compromisso ético com todos os seres.
Niyamas são como prescrições, sugestões de hábitos proposto pelo Yoga.
Yamas
Ahimsa - significa não violência. Atitude pacífica direcionada a qualquer ser.
Não significa aceitar todo e qualquer tipo de coisa, existe uma impressão de que praticantes de Yoga devem ser calmos e tolerantes com tudo e todos, mas pacificidade é muito diferente de passividade.
Ahimsa não significa ser passivo, pois aceitar tudo é contrário à atitude pacífica, não podemos aceitar a violência, a injustiça e o autoritarismo, por exemplo.
Buscar a atitude pacífica, justa e igualitária requer bastante consciência, é necessário desenvolver clareza, capacidade de estar presente no aqui e agora e evitar reações impulsivas baseadas em padrões e condicionamentos que possam ferir os outros e a nós mesmos.
Satya - significa não mentir no sentido amplo. Alinhamento entre pensamentos, palavras e ações é o que busca a pessoa que pratica Yoga. Muitas vezes pensamos algo mas falamos o contrário do que pensamos e agimos ainda de maneira diferente daquilo que pensamos e falamos. Muitas vezes também nossos pensamentos estão equivocados.
A prática de Yoga nos traz ferramentas para que possamos clarear nossa mente, compreender quais pensamentos realmente fazem sentido para nós e quais são apenas ruídos.
Vivemos a sociedade do ruído infinito e é muito fácil nos perdermos. Olhar para a Verdade do nosso ser é fundamental. Ninguém pode nos dizer o que devemos ou não fazer, apenas nós, a partir da reflexão própria, podemos escolher.
É claro que também há verdades universais, como a ética. É uma questão de bom senso. Seguir a nossa Verdade é Satya.
A verdade deve ser dita também lembrando de Ahimsa, evitando ferir a outra pessoa.
O Yoga diz que a Verdade proteje a pessoa. A pessoa íntegra está sempre protegida.
Asteya - significa não roubar. Agir com honestidade e integridade. Isto significa não roubar não só bens materiais, mas também mérito, tempo ou paciência dos outros. Tem a ver também com o equilíbrio entre dar e receber. Asteya também está ligado às nossas atitudes em relação à Natureza e a todos os seres que dividem o Planeta com a gente. Não estamos acima deles, não somos mais nem menos importantes que os outros seres, todos temos o mesmo direito de existir. Retirar mais da Natureza do que sua capacidade de regeneração também vai contra esse princípio.
Brahmacarya - não desperdiçar energia. Conservação da energia vital, em todos os níveis. No nível físico, equilibrando atividade e descanso. No nível mental e emocional, evitando estresse, negatividade e preocupação excessiva. Equilíbrio também nas relações, evitando aquelas que nos sugam ou sugando os outros, pois isso também é gasto de energia desnecessário. Está muito associado à energia sexual, não significa não usufruir dessa energia, mas sim não desperdiçá-la. Também associa-se a viver com conforto, mas sem desperdícios (como Asteya). Com isso surge uma grande força interior para a disciplina e o estudo. Brahmacarya é o não desperdício de energia própria e também dos outros. A energia vital deve ser direcionada para aquilo que é realmente importante e que contribui com o todo.
Aparigraha - não apego. Refere-se a coisas materiais, situações, passado, futuro, ideias e pessoas. Quanto mais apego temos, menos tranquilidade sentimos. Quanto mais coisas temos, mais tememos perder. Afinal, nada realmente nos pertence, assim como tudo o que temos veio a nós, pode ir a qualquer momento. Absolutamente nada garante que sempre teremos tudo o que agora está aos nossos cuidados. Viver estabelecido no apego apenas gera sofrimento, pois a natureza da vida é a mudança, a impermanência.
Podemos perceber a profunda relação entre os Yamas. Todos são um, são o mesmo. Na não violência está implícita a verdade, o não roubar, não desperdiçar energia e o desapego. E assim por diante podemos observar cada um dos Yamas em todos eles. Tente fazer essa reflexão.
Niyamas
Sauchan - purificação. Limpeza e pureza do corpo, tanto com práticas purificatórias, como com o cuidado com o que ingerimos. Pureza de pensamentos e emoções, atenção aquilo que “ingerimos” mentalmente, e práticas purificatórias são necessárias também, como meditação, pranayamas e yoganidra. A prática de Yoga de forma geral é essencialmente purificatória.
Santosha - contentamento. Apreciar aquilo que temos para apreciar, sempre podemos agradecer. Aceitar a realidade como ela é e abraçar essa realidade. Essa aceitação é completamente diferente de resignação, não significa se acomodar em uma situação insatisfatória ou não se indignar com aquilo que gera indignação. Mas aceitar aquilo que agora é como é, o corpo, a mente, como são. Essa aceitação é fundamental para saber onde nos encontramos agora e assim poder mirar para onde queremos chegar e, principalmente, apreciar o percurso. Nas palavras do professor Tales Nunes, seria reconhecer, ter a percepção da pura abertura que somos. O contentamento é inerente ao Ser e é uma prática sugerida pelo Yoga.
Tapas - disciplina. Esse é um ponto chave do Yoga. Disciplina é a capacidade de se manter constante em algo, sabemos que sem ela não atingiremos objetivos. A disciplina central no Yoga é estar com a mente voltada para o estudo de si mesmo. A disciplina do Yoga tem muito a ver com abandonar hábitos que atrapalham no caminho de autoconhecimento. Disciplina para se manter em aparigraha (não apego), svadyaya (auto-estudo) e Ishvara Pranidhana (entrega). Isso significa desenvolver e manter hábitos de vida que propiciem momentos de reflexão (svadyaya); percepção o que é um desejo da alma, aquele que impulsiona para o autoconhecimento, o que são os desejos de meios materiais legítimos, aqueles que necessitamos para apoiar nosso desenvolvimento, e o que são desejos efêmeros e provavelmente desnecessários, ao mesmo tempo fluindo com as mudanças da vida (aparigraha); e realizar os desejos da alma, essa é a entrega à Vida (Ishvara Pranidana) .
Svadyaya - auto-estudo. É tanto no sentido de conhecer nossos padrões de personalidade, nossas tendências reativas, como surgem nossas emoções, etc. Quanto o reconhecimento de si como o Todo, o Ser. O Yoga aponta para aquilo que é impermanente, nossa essência, que não é visível e nem perceptível aos nossos sentidos, mas pode ser reconhecida através da meditação.
Ishvara Pranidhana - Entrega à Ishvara. Realciona-se ao desapego, entregar e confiar no fluxo da vida. Ishvara é o Amor que cria, permeia e sustenta tudo. A disciplina do Yoga é no sentido de direcionar-se ao autoconhecimento, para o conhecimento de si como sendo fundamentalmente o Amor; o sentimento de não separação. Ishvara pranidhana é o reconhecimento da Unidade. Nós não podemos controlar o Universo, mas podemos reconhecer que pertencemos a ele e podemos nos entregar ao seu fluxo. E isso não depende de conquistar coisa alguma. A partir desse reconhecimento, podemos agir na realidade de uma outra forma.
Os Niyamas estão intrinsecamente conectados e também podem ser vistos como apenas um.
Com as práticas purificatórias podemos encontrar o contentamento inerente, assim como praticar o contentamento é purificador da mente. Disciplina também é purificadora tanto do corpo como da mente e com a purificação, que exige disciplina, também fica mais fácil ter disciplina.
O contentamento é uma disciplina, assim como a disciplina é altamente satisfatória e traz contentamento.
O estudo de si mesmo é também purificador da mente, é uma disciplina e, quanto mais nos aprofundamos, mais realizamos que somos essencialmente contentamento, não que o caminho seja fácil e sem percalços.
Procure fazer essa meditação reflexiva e observe como isso se relaciona à Ishvara Pranidhana.





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